quarta-feira, junho 23, 2004

Ler é poder

Faz alguns anos li um artigo na revista XIS (quando era editada com o Jornal Correio da Manhã) sobre a leitura que nunca mais esqueci. Ficou-me na memória a ideia que o autor passou com o que escreveu. Em vão já tinha procurado esse artigo, tendo a impressão que tinha guardado essa revista em particular. Procurando melhor, um pouco resultado de umas arrumações aqui por casa, encontrei-o. Foi escrito por Pedro Boucherie Mendes. Tomei a liberdade de o transcrever. Espero que gostem.



«Vivemos num tempo em que não há tempo. Por causa disso, ler tornou-se uma miragem, uma daquelas coisas que nos dizem poder mudar as nossas vidas, mas que adiamos sistematicamente. Ao mesmo tempo, e porque há cada vez menos quem o faça, ler também se transformou numa maldição. Por outro lado dizem-nos que devíamos ler mais e se não o fizermos ficaremos de algum modo incompletos. Como se nos escapasse alguma coisa do mundo, numa espiral de ansiedade que transforma a leitura em algo de quase sagrado.

A leitura deve ser tudo menos uma obrigação. A leitura, qualquer leitura, é sempre uma descoberta. Mais, é uma descoberta muito própria de cada um. Não há duas leituras iguais. É um momento da mais pura intimidade. Quando lemos estamos sós. Tudo à nossa volta pára e deixa de importar, porque o poder da palavra se sobrepõe a tudo o resto. A leitura é o mais poderoso dos feitiços. As palavras levam-nos a sítios inimagináveis, apresentam-nos as pessoas mais extraordinárias, dão sustento aos nossos sonhos, tiram-nos literalmente o tapete debaixo dos pés e levam-nos para longe. Um longe que pode ser ao virar da esquina, mas que é sempre distante e sempre nosso.

A cultura da imagem, pelo contrário, é mais superficial. Não porque exista qualquer coisa de errado ou de menos certo ou até de incompleto, mas porque a imagem nos limita a imaginação. Está lá quase sempre tudo, o que significa que não é preciso ir dentro de nós buscar mais qualquer coisa, porque as imagens são completas em si mesmas, e ainda por cima colectivas: vemos todos o mesmo. Na palavra não. Quando um escritor escreve sobre alguém ou algum sítio, por exemplo, a liberdade é toda nossa para imaginarmos um "alguém" que só nós podemos ver e que será sempre diferente ao "alguém" de outra pessoa. Até mesmo diferente do "alguém" que o escritor concebeu. É esse o poder da leitura. É um poder absoluto e ilimitado que nos dá todo o direito de arrumar dentro de nós aquilo que o escritor escreveu, a partir da história que estamos a ler.

Mesmo que a nossa leitura não seja ficção, mesmo nos factos, temos a liberdade de desenhar alguns dos contornos à nossa maneira. É um poder bom porque até o abuso, o exagero do uso dessa liberdade, nunca resulta mal. Afinal é a nossa leitura e podemos fazer dela o que muito bem entendermos.

Ler absorve, descansa e estimula. Ler nunca é mau. Não há livros bons ou livros maus. Isso depende só de cada um de nós. Claro que há livros que se calhar devíamos ler um dia, mas isso é só porque têm uma importância que as mil e uma leituras dos outros lhe deram e que esses leitores quiseram partilhar connosco. Esses livros, sejam clássicos ou simplesmente livros que têm um êxito súbito, até podem nem ser os melhores. São livros que criam a ansiedade da leitura e fazem com que nos sintamos obrigados a lê-los. Nessas alturas o melhor é só os ler se verdadeiramente nos apetecer. Só assim poderemos aproveitar ao máximo a riqueza desse livro.

Não ler também não é necessariamente mau. Os livros esperam por nós e têm toda a paciência do mundo. Uma página por dia é tão bom como duas, três, cinco ou dez. O livro faz todo o trabalho por nós. O livro abre-se e seduz, agarra-nos e surpreende-nos. O livro cativa sempre, mesmo que o deixemos de parte durante algum tempo. Porque um livro tem sempre tempo.

Ler é também liberdade para o espírito. É como andar de carroussel com as palavras. É sempre emocionante ainda que possa ter momentos desconfortáveis aqui e ali. Ler é tão livre que até podemos sair do carroussel a meio. Ningué é obrigado a ler um livro até ao fim ou sequer a gostar do livro. E podemos ler os livros que mais gostamos vezes sem conta com a garantia de que será sempre uma experiência diferente. Ler é partilhar, é saber mais, é viver melhor. Ler é conseguir fazer tudo sem sair do mesmo lugar. Ler é abrir o nosso mundo. É mesmo assim.»


World Press Photo 2003



Primeiro prémio na categoria "Notícias gerais / fotografia singular"



O fotógrafo holandês da agência Reuters, Jerry Lampen, captou o sofrimento de uma mulher que chora a morte do marido, na Faixa de Gaza.

World Press Photo 2003


Primeiro prémio na categoria "Notícias gerais / fotografia singular"

O fotógrafo holandês da agência Reuters, Jerry Lampen, captou o sofrimento de uma mulher que chora a morte do marido, na Faixa de Gaza.

Livro Lido - "Matéria Proibida"

Matéria Proibida foi o livro que acabei hoje de ler. Escrito por Arnaud De Borchgrave e Robert Moss, editado pela Moraes Editores em 1981, é um romance que gira à volta da carreira jornalística de um jovem repórter chamado Robert Hockney. O enredo trata das relações entre os EUA e a antiga URSS, tendo como pano de fundo a guerra do Vietname e a obscura guerra de informação que se travava entre as duas grandes potências. Tendo em conta outros livros mais recentes que já li, este ficou um pouco aquém. Não quero deixar no entanto de referir uma frase que me fez lembrar a guerra no Iraque e tantas outras guerras que, apesar de menos mediáticas, grassam por este mundo fora. É a seguinte "É mais fácil uma pessoa identificar-se com uma revolução à distância do que quando entra nela. De perto, a guerra deixa de ser uma questão de bem ou de mal, mas sim de brutal sobrevivência."

O próximo a ler será Surpreendido pela Alegria de C.S. Lewis.

terça-feira, junho 22, 2004

A vida de uns e de outros

Ainda à pouco saí para ir despejar o lixo, e para beber um café (penso que ir despejar o lixo foi o pretexto para o café) e aproveitei fui ao terraço dar uma olhada à cidade. Em Lagos, juntamente com outros três o terraço do prédio onde vivo é o ponto mais alto da cidade e de onde se avista tudo num raio de vários quilómetros. E o que vejo? Entregue aos meus pensamentos, fui observando e olhando, ao longe as luzes da Meia Praia, Alvor, Portimão, Praia da Rocha, Ferragudo e aí por diante. Aqui mais perto, observei o sossego que envolvia as casas circundantes. A luz na sala de um apartamento; alguém que provavelmente via televisão. A vizinha um pouco mais abaixo que recolhia o estendal que tinha deixado na varanda. Dois homens que conversavam na rua à porta do café saboreando o fresco da noite. O material que por ali estava espalhado dos homens que andam pintando o prédio. Alguém que chegava num carro. Uma persiana que se corria. Uma bandeira de Portugal outra acolá em apoio da nossa Selecção. Eu que ali estava olhando, pensando e observando. Enfim, a vida de uns e de outros.

A vida de uns e de outros

Ainda à pouco saí para ir despejar o lixo, e para beber um café (penso que ir despejar o lixo foi o pretexto para o café) e aproveitei fui ao terraço dar uma olhada à cidade. Em Lagos, juntamente com outros três o terraço do prédio onde vivo é o ponto mais alto da cidade e de onde se avista tudo num raio de vários quilómetros. E o que vejo? Entregue aos meus pensamentos, fui observando e olhando, ao longe as luzes da Meia Praia, Alvor, Portimão, Praia da Rocha, Ferragudo e aí por diante. Aqui mais perto, observei o sossego que envolvia as casas circundantes. A luz na sala de um apartamento; alguém que provavelmente via televisão. A vizinha um pouco mais abaixo que recolhia o estendal que tinha deixado na varanda. Dois homens que conversavam na rua à porta do café saboreando o fresco da noite. O material que por ali estava espalhado dos homens que andam pintando o prédio. Alguém que chegava num carro. Uma persiana que se corria. Uma bandeira de Portugal outra acolá em apoio da nossa Selecção. Eu que ali estava olhando, pensando e observando. Enfim, a vida de uns e de outros.

World Press Photo 2003



Primeiro prémio na categoria "A outra face do desporto"



Uma equipa de homens mutilados jogam à bola na Serra Leoa. O norte-americano Adam Nadel fotografou o jogo para 'Christian Science Monitor'.

World Press Photo 2003


Primeiro prémio na categoria "A outra face do desporto"

Uma equipa de homens mutilados jogam à bola na Serra Leoa. O norte-americano Adam Nadel fotografou o jogo para 'Christian Science Monitor'.

Early Blogging

Para se realizar, a pessoa tem de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. - Provérbio chinês

 

*

 

Bom dia!

Early Blogging

Para se realizar, a pessoa tem de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. - Provérbio chinês
 
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Bom dia!

segunda-feira, junho 21, 2004

World Press Photo 2003



Primeiro prémio na categoria "Arte e Entretenimento"



A norte-americana Mary Ellen Mark fotografou duas irmãs gémeas a dançar no Festival de Twinsburg, nos Estados Unidos.

World Press Photo 2003


Primeiro prémio na categoria "Arte e Entretenimento"

A norte-americana Mary Ellen Mark fotografou duas irmãs gémeas a dançar no Festival de Twinsburg, nos Estados Unidos.

Pensamento

"Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós." - Franz Kafka

Pensamento

"Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós." - Franz Kafka

domingo, junho 20, 2004

Early Blogging

The chief purpose of the family is to rear happy, intelligent, healthy and spiritually directed personalities. - Roy A. West

 

*

 

Bom dia!

Early Blogging

The chief purpose of the family is to rear happy, intelligent, healthy and spiritually directed personalities. - Roy A. West
 
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Bom dia!

sábado, junho 19, 2004

World Press Photo 2003



Primeiro prémio na categoria "Notícias gerais / reportagem"



Um rapaz iraquiano sem os dois braços, resultado da guerra no Iraque. O fotógrafo russo Yuri Kozyrev é o responsável por esta imagem para a revista "Time".

World Press Photo 2003


Primeiro prémio na categoria "Notícias gerais / reportagem"

Um rapaz iraquiano sem os dois braços, resultado da guerra no Iraque. O fotógrafo russo Yuri Kozyrev é o responsável por esta imagem para a revista "Time".

sexta-feira, junho 18, 2004

World Press Photo 2003



Primeiro prémio na categoria "Notícias locais"



Uma mulher transporta uma criança ferida nos confrontos da guerra civil na Libéria. A fotografia é do francês Jean-Marc Bouju, o grande vencedor do concurso deste ano.

World Press Photo 2003


Primeiro prémio na categoria "Notícias locais"

Uma mulher transporta uma criança ferida nos confrontos da guerra civil na Libéria. A fotografia é do francês Jean-Marc Bouju, o grande vencedor do concurso deste ano.